Um registro raro de uma mãe lobo-guará acompanhada por três filhotes na região da Estação Ecológica Barreiro Rico, localizada entre os rios Piracicaba e Tietê, evidenciou a reprodução da espécie ameaçada de extinção e o sucesso das ações de conservação ambiental no interior paulista. O avistamento, acompanhado pelo monitoramento da Fundação Florestal, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), reflete o aumento constante da presença desse canídeo na unidade de conservação, onde mais de dez espécimes já foram mapeados desde 2020.
O trabalho de preservação na região completa oito anos sem o registro de incêndios florestais em 2026, resultado de uma articulação contínua entre a Fundação Florestal, proprietários rurais e brigadas de combate. As estratégias de proteção englobam ainda medidas de educação ambiental nas comunidades do entorno e a implementação de infraestruturas para conter atropelamentos em estradas vicinais, incluindo a instalação de travessias faunísticas aéreas e sinalização em pontos críticos de circulação de animais silvestres.
Apesar dos avanços observados pelo programa estadual MonitoraBioSP — que soma mais de três mil registros da espécie em unidades de conservação paulistas —, especialistas alertam para os riscos contínuos associados à perda de habitat, atropelamentos e à transmissão de doenças por cães domésticos não vacinados, como a sarna sarcóptica, a cinomose e a parvovirose. Para assegurar a permanência e a saúde da fauna nativa, a gestão da unidade reforça a importância da vacinação dos animais domésticos das propriedades vizinhas e da manutenção dos corredores ecológicos que ligam as matas da região.