POR GIL CIPRIANO - GIL ACERVO ESPORTIVO - IMAGENS DA INTERNET
Na matéria anterior, abordei os benefícios da tecnologia no esporte e os interesses de dirigentes que interpretam os regulamentos à sua maneira e recorrem a outras instâncias da Justiça Desportiva em benefício de seus clubes.
Dando continuidade ao tema, neste capítulo, apresento duas situações envolvendo o mesmo clube.
Os fatos serão expostos, e a conclusão ficará a critério do leitor.
A manipulação de resultados levou à aplicação de penas severas a alguns atletas. Entretanto, os julgamentos não seguiram o mesmo desfecho em todos os casos: houve também a absolvição de atletas vinculados a clubes de grande expressão.
Diante disso, fica a reflexão: os regulamentos estão sendo aplicados com o propósito de preservar a integridade do esporte ou, em determinadas situações, acabam se tornando instrumentos para atender a interesses particulares?
O absurdo é que esse mesmo clube, beneficiado por uma absolvição em outro caso, agora reivindica a vaga na decisão continental que perdeu dentro de campo. Para isso, utiliza como argumento o fato de seu adversário ter escalado um jogador cuja inscrição não havia sido autorizada pelo gestor da competição. O clube adversário, por sua vez, utilizou o atleta amparado por uma autorização provisória, concedida por meio de liminar do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), sediado na Suíça.
Que imbróglio!
Não seria mais justo e correto que todos os clubes cumprissem o regulamento e que as regras fossem aplicadas de maneira uniforme, sem distinções ou privilégios?
Enquanto os interesses particulares se sobrepuserem às regras e houver instâncias às quais os clubes possam recorrer, cada uma com autonomia para decidir dentro de suas atribuições, esse cenário tende a continuar manchando as competições e alimentando a percepção de favorecimento a determinadas equipes.
Infelizmente, o futebol vai perdendo, aos poucos, a sua essência. O protagonismo, que deveria pertencer aos jogadores e às disputas dentro das quatro linhas, cede espaço para batalhas jurídicas, transferindo o resultado das competições dos gramados para o chamado tapetão dos tribunais.
Muito triste, mas real!