POR GIL CIPRIANO - GIL ACERVO ESPORTIVO - IMAGENS DA INTERNET
Não é novidade que os clubes brasileiros praticam salários astronômicos no continente, tornando o Brasil uma espécie de “eldorado” do futebol na América Latina, inclusive repatriando jogadores brasileiros da Eurásia.
A cada início de temporada, aumenta consideravelmente o número de atletas estrangeiros que desembarcam em nosso país. Diante desse cenário, o gestor do futebol brasileiro, a partir de 2023, aumentou de cinco para sete o número de atletas estrangeiros que poderiam ser inscritos por cada equipe. Em 2024, houve uma nova alteração: passou a ser permitida a inscrição de até nove atletas estrangeiros por clube.
Simultaneamente, ocorreu uma migração de técnicos europeus para o futebol brasileiro. Os portugueses, em especial, têm sido a preferência das equipes, ocupando um espaço que, anteriormente, era predominantemente ocupado por treinadores sul-americanos.
Diante desse contexto, o futebol brasileiro também mudou sua essência, tornando-se cada vez mais elitizado. Surgiram novas arenas, os preços dos ingressos tornaram-se menos acessíveis e os produtos licenciados pelos clubes passaram a disputar espaço com produtos não oficiais.
Enquanto alguns clubes têm se destacado pela organização e pelos investimentos, outros permanecem mergulhados em dívidas que parecem não ter fim. Esse é o atual panorama dos clubes brasileiros: um futebol que cresce em investimentos e visibilidade, mas que também enfrenta profundas transformações e desafios financeiros e sociais.
Multas, contratos milionários e aposta em outras divisões
Para sanar parte das despesas, os clubes têm encontrado como alternativa a aplicação de multas rescisórias elevadas e a renovação de contratos longos com suas principais joias, visando proteger os atletas diante do interesse do mercado europeu.
Sem a garantia de encontrar jogadores de reposição com a mesma qualidade e, quando necessário, precisando reforçar o elenco, a solução imediata tem sido garimpar talentos ou atletas que se destacam nas divisões inferiores. A Série B, principalmente, tornou-se um dos grandes alvos das equipes da Série A.
Alguns jogadores das Séries B e D que chegaram à Série A em 2026
Grêmio: lateral Diego Caito do Goiás e zagueiro Walace do CRB, ambos da Série B; Mirassol: meio-campista Denilson do Cuiabá, Lateral Igor Formiga do Juventude e atacante Bruno Santos do Londrina, Todos da Série B; Cruzeiro: meio-campista Zé Lucas do Sport, Série B; Athletico: zagueiro Dantas do Grêmio Novorizontino, Série B; Palmeiras: goleiro Bruno Bertinato da Portuguesa-SP, Série D; Internacional: lateral Matheus Bahia do Ceará, Série B; Chapecoense: Max Alves do Sport, Bruno Pacheco do Fortaleza, ambos da Série B e Túlio Eduardo do Decisão-GO, da Série D; Vitória: meio campo Zé Vitor da Portuguesa-SP e Alex Bruno, do CSA, ambos da Série D.
Esses são apenas alguns exemplos. No decorrer do campeonato, essa lista tende a aumentar.
Talvez essa não seja a melhor estratégia para a formação de um elenco competitivo, mas é a alternativa na qual muitas equipes têm apostado atualmente para repor seus jogadores e, ao mesmo tempo, equilibrar os investimentos.