Cultura

Das mãos ao imaginário: artesão paulista resgata tradições e celebra apoio à categoria

A dedicação de Geraldo Magela vai além de seu próprio ateliê e alcança as salas de aula, onde atua preparando e formando novas gerações de artistas.


por Canal Dez
21/06/2026 às 16:10
Das mãos ao imaginário: artesão paulista resgata tradições e celebra apoio à categoria
“Fui me descobrindo gente por meio da minha arte, do meu artesanato.” É com esse sentimento de identidade e orgulho que o artesão Geraldo Magela resume sua trajetória de mais de 40 anos dedicados à criação artística e ao ensino. Aos 59 anos, o morador de Jacareí transforma materiais simples como barro, papel, tintas e vernizes em peças ricas em detalhes. Especialista nas técnicas de empapelamento e modelagem em argila, ele se destaca na produção de presépios e das tradicionais “Paulistinhas” — imagens religiosas de barro que carregam uma forte ligação com a cultura popular do estado de São Paulo.

Atualmente, Mestre Magela faz parte do Programa Empreendedor Artesão, uma iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) do Governo de São Paulo voltada para impulsionar o setor. O projeto oferece suporte completo para os profissionais da área por meio de três pilares fundamentais. O primeiro é a formalização, que orienta os trabalhadores e emite a Carteira do Artesão nos âmbitos estadual e nacional, documento que já foi entregue a mais de 1,7 mil pessoas. O segundo é a qualificação, com cursos presenciais e virtuais que ensinam desde técnicas artesanais até inclusão digital, vendas pela internet e meios de pagamento digitais. Por fim, o programa facilita o acesso ao crédito com financiamentos diferenciados pelo Banco do Povo Paulista e pela Desenvolve SP, permitindo que os artesãos invistam na modernização de suas produções. Para Magela, a iniciativa é um marco histórico que corrige uma antiga lacuna, aproximando o poder público de uma categoria que passou muito tempo sem o devido reconhecimento.

O processo de fabricação das peças envolve paciência e respeito ao tempo dos materiais. Fascinado pela arte, Magela revela que a sua etapa favorita é o planejamento mental, momento em que os cenários começam a tomar forma em sua imaginação. Depois que a argila é modelada, as obras passam por um período de secagem e são levadas ao forno a lenha. Esse método de queima tradicional exige um cuidado minucioso com a temperatura para não estragar as peças e foi aprendido pelo artesão ao observar antigos mestres da região. Os presépios produzidos por ele guardam um espaço especial em seu coração e no mercado, pois mexem com a memória afetiva das pessoas, trazendo lembranças da infância, despertando alegria e encantando pelas cores.

A dedicação de Geraldo Magela vai além de seu próprio ateliê e alcança as salas de aula, onde atua preparando e formando novas gerações de artistas. Esse compromisso em preservar e passar adiante os saberes tradicionais rendeu a ele, em 2013, o título oficial de Mestre da Cultura Popular, concedido pelo Ministério da Cultura. Apesar dos prêmios e do retorno financeiro necessário para cobrir os custos de produção, o artesão garante que a maior recompensa de seu trabalho é imaterial. Para ele, ver o sorriso espontâneo e o encantamento no rosto de um cliente ou admirador diante de uma obra finalizada funciona como uma validação de que valeu a pena escolher o caminho da arte.