Por Gil Cipriano - Gil Acervo Esportivo
Jamais podemos deixar de exaltar o glamour dos estaduais, a paixão do torcedor é eloquente, a conquista leva ao êxtase sem contar que se a mesma foi contra seu maior rival aí a atmosfera é indescritível.
Nos estaduais, as competições da época 70 a 90, davam condições para as equipes recuperarem durante a competição e das equipes interioranas enfrentarem todos os clubes considerados grandes em seus próprios domínios. Isto além de estimular seus atletas ainda mais, trazia recursos monetários para os cofres das equipes. Na modalidade atual sem menos jogos a disputar impactando no orçamento e no calendário deixando muitas equipes sem ter competições para disputar no segundo semestre. Um caos total!
Na atualidade as conquistas dos estaduais possuem significado maior comparando as rivalidades locais, premiação, seleção do campeonato e o escudo de campeão simbólico no uniforme. Este glamour estampa e camufla geralmente na sequência a performance do campeão nas competições no decorrer do ano.
Jamais poderemos comparar de forma igualitária os clubes de todas as regiões nas competições subsequentes dos estaduais.
Com a paralização do Brasileirão na 12ª rodada, próxima 1/3 da competição, devido a participação de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras na copa do mundo de clubes da FIFA (não participaram da rodada), a situação de alguns campeões estaduais não fazem prevalecer na classificação do brasileirão, no mínimo deveriam ter mais eficácia.
No G4 com classificação direta para a fase de grupos da Libertadores (independente das demais vagas proporcionadas por outras competições), temos em 1º lugar o Flamengo atual Campeão Carioca. Na sequência da 5ª a 10 posição temos: Bahia (5ª),
Atlético Mineiro (7ª) e Corinthians (10ª), em síntese dos 10 melhores classificados até o momento temos 04 campeões estaduais e pior, apenas 02 classificados para a Libertadores (1 na fase de grupo e 1 na pré-libertadores) nos atuais moldes de 06 classificados.
Entenderam a atual situação?
Os critérios adotados pelo calendário dos estaduais há alguns anos, além de aniquilar, deteriorar e exterminar fortes equipes do nosso interior com conquistas exuberantes e campanhas inquestionáveis, também não tem solidificado o Campeão para as demais competições no decorrer do ano.
Enquanto alguns clubes tem sido privilegiados monetariamente com essa situação, está tudo bem, mas analisando friamente, a realidade é totalmente adversa.
O Futebol é emocionante, envolvente, apaixonante, eloquente e não é possível cravar favoritismo e como cada regra tem sua exceção, desde 2007 tivemos as equipes que foram campeãs estadual e brasileira no mesmo ano: Flamengo em 2009, Fluminense em 2012, Cruzeiro em 2014 e em 2017 o Corinthians, 2019 e 2020 Flamengo, 2021 Atlético Mineiro e Palmeiras 2022 e 2023.
Nas últimas 17 edições do Brasileirão tivemos 09 equipes com conquistas dos estaduais e do brasileirão no mesmo ano, perfazendo 52,84% de aproveitamento, centralizadas em apenas 06 equipes representando 03 estados.
É insignificante em termos de conquista e clubes em relação a competitividade que tínhamos no passado dos campeonatos estaduais.
NOTA: sempre defendi o critério de disputa com turno e returno, como a grande sobrevivência de nossas equipes interioranas. Conquistas nem sempre qualifica para competições futuras.