Cultura

Um educador que luta para manter viva a história de Fernandópolis

No mês dos professores, conheça a vida de Getúlio, um garimpeiro de fatos históricos


por Canal Dez
23/10/2026 às 15:12 Fernandópolis
Um educador que luta para manter viva a história de Fernandópolis

PERFIL DA CULTURA por Luiz Storino

O historiador, filósofo e sociólogo Getúlio de Souza Lima, de 60 anos, transformou a paixão pelo passado em uma verdadeira missão de vida: garantir que a memória de Fernandópolis e de toda a região noroeste paulista permaneça viva para as próximas gerações.

Com uma carreira consolidada e marcada pela dedicação integral às salas de aula - incluindo passagens marcantes por Cordeirópolis-SP, pela Escola Estadual Antônio Tanuri e pelo SESI -, ele hoje lidera uma nova geração de historiadores no Centro Universitário de Fernandópolis (UNIFEF), onde atua como coordenador do Centro de Documentação e Pesquisa (CDP).

Muito mais do que um ambiente de preservação de arquivos antigos, o CDP tornou-se, sob a liderança do professor Getúlio, um polo de investigações científicas que se destaca por seu método de trabalho baseado na cooperação multidisciplinar.

Para ele, a história de uma comunidade só se constrói unindo diferentes olhares, razão pela qual envolve ativamente em seus projetos docentes e discentes não apenas de História, mas também de áreas correlatas como Jornalismo, Geografia, Economia, Ciências Biológicas e Paleontologia.

Essa dedicação em resgatar capítulos fundamentais da nossa gente já rendeu frutos de grande impacto cultural para a comunidade. Um dos pontos altos da trajetória de pesquisa do professor Getúlio foi o profundo levantamento documental e oral que resgatou a história dos “pracinhas” de Fernandópolis que lutaram na Segunda Guerra Mundial.

Esse minucioso trabalho não apenas preservou os nomes e as memórias dos heróis locais, mas também ganhou as telas, transformando-se num emocionante filme- documentário que eternizou a participação do município no conflito mundial. Atualmente, o pesquisador mantém esse mesmo entusiasmo ao liderar seus alunos em frentes dinâmicas que buscam mapear a evolução histórica e cultural de Fernandópolis desde a sua fundação, em 1939, até a contemporaneidade.

O grupo trabalha continuamente para coletar fotos, documentos raros e depoimentos orais, observando de perto as continuidades e as rupturas que moldaram a sociedade regional ao longo das décadas.

Sob a mentoria do professor Getúlio, o ambiente acadêmico se transformou em um laboratório vivo de descobertas. A equipe conta, por exemplo, com a colaboração do professor Carlos Eduardo Maia de Oliveira, o professor Cadu, que atua no Museu Municipal de Paleontologia e ajuda a resgatar o entorno pré-histórico regional através do estudo de fósseis.

Na área rural, as pesquisas geográficas do professor João de Souza Lima registram o impacto da mecanização no campo, mostrando como o corte manual e as queimadas da cana deram lugar às inovações técnicas.

O resgate histórico avança ainda sobre a trajetória do Tiro de Guerra local, impulsionado pela análise de documentos selecionados, e sobre a evolução da Exposição de Fernandópolis (Expo), onde os estudantes analisam criticamente como um evento tradicional de perfil agropecuário se transformou ao longo do tempo sob o impacto da indústria cultural.

Até mesmo o impacto recente da chegada dos smartphones a partir de 2012 na cultura regional é alvo de estudo dos jovens pesquisadores que, para traçar os caminhos do passado, também se debruçam sobre obras de outros grandes nomes da historiografia regional, como o livro "Sertão de Rio Preto", de Osvaldo Sartori, redescobrindo as antigas estradas “boiadeiras” e as comitivas que vinham do atual Mato Grosso do Sul.

O grande objetivo do professor Getúlio é fazer com que a ciência produzida na universidade gere frutos práticos e acessíveis para toda a sociedade. Além da produção de artigos acadêmicos e relatórios técnicos que ajudam a compreender a identidade local, o ecossistema de pesquisa liderado por ele pavimenta o caminho para futuras publicações e livros que darão continuidade à cronologia historiográfica do município.

 Através do olhar atento do professor Getúlio de Souza Lima, a história de Fernandópolis deixa de ser apenas um registro estático em papéis antigos e ganha vida no entusiasmo dos estudantes e na preservação da identidade de sua gente.