Um estudo desenvolvido na Universidade Brasil (UB) recebeu menção honrosa no Prêmio Cândido Pinto de Melo, uma das principais distinções científicas da Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB), durante o Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica (CBEB 2026), o maior encontro da área no país.
O trabalho premiado apresenta o SM-BQS — Structural–Mechanical Bone Quality Score, ou Escore Estrutural-Mecânico de Qualidade Óssea — um índice que avalia a qualidade do tecido ósseo de forma mais profunda e objetiva do que os exames usados hoje. Ele foi desenvolvido pelo Professor Doutor Alessandro Márcio Hakme da Silva, coordenador da Pós-Graduação em Bioengenharia da UB, em parceria com os pesquisadores Rodrigo Nolasco dos Santos e a Professora Doutora Marise Lazaretti-Castro, Endocrinologista, Chefe do Setor de Doenças Osteometabólicas da Escola Paulista de Medicina da Unifesp no Campus São Paulo.
Hoje, quem quer saber se tem ossos frágeis costuma fazer a densitometria óssea. O exame mostra a quantidade de osso, mas não como ele é por dentro nem o quanto ele aguenta de carga. Na prática, duas pessoas podem receber exatamente o mesmo resultado e ter ossos que se comportam de maneiras muito diferentes.
O SM-BQS foi criado para preencher essa lacuna. Ele reúne quatro informações em uma única nota, de 0 a 100: a densidade do osso medida pela densitometria, a massa muscular da perna, a estrutura interna do osso obtida por uma tomografia de alta resolução e a rigidez óssea calculada em um modelo de computador que simula o peso do corpo sobre a tíbia. É essa última parte, a simulação mecânica, que diferencia o método dos índices existentes.
O resultado é fácil de entender: o osso é classificado como preservado, levemente reduzido, moderadamente comprometido ou comprometido. No teste inicial, feito com 67 mulheres, as notas do índice acompanharam de perto a rigidez óssea estimada pela simulação — sinal de que o escore reflete, de fato, o comportamento mecânico do osso. A tecnologia já tem pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Os próximos passos são testar o método em grupos maiores, incluindo homens, e verificar se as notas ajudam a prever fraturas, etapa necessária antes de o índice chegar ao consultório.
"Incentivar esse tipo de estudo e aprimoramento na área da saúde é contribuir para que avanços como estes possam chegar a quem mais precisa. A sociedade acadêmica precisa estar conectada às novas tecnologias e estimular pesquisas que possam ser inseridas no sistema de saúde. Esse tipo de estímulo é fundamental para que cada vez mais possamos ter uma medicina mais eficiente e acessível a todos", destaca o professor Alessandro Hakme da Silva.
Criado em 2002, o Prêmio Cândido Pinto de Melo homenageia o professor Cândido Pinto de Melo, pioneiro da Engenharia Biomédica no Brasil e um dos fundadores da SBEB. A premiação reconhece trabalhos de mestrandos e doutorandos de todo o país.
Com o tema "Construindo pontes entre a academia e o mercado", a 30ª edição do CBEB reuniu pesquisadores, profissionais de saúde e empresas do setor. Além do SM-BQS, docentes e alunos da Pós-Graduação em Bioengenharia da UB apresentaram outras pesquisas. O professor Alessandro também foi convidado pela SBEB, que promove o congresso, para apresentar o programa no estande da entidade.
"Estar no CBEB é mostrar à principal comunidade científica da área o que nossos professores e estudantes estão produzindo. E também é a chance de criar novas parcerias com universidades, empresas e instituições de saúde, para que essas pesquisas cheguem de fato às pessoas", afirma o professor.
Os demais trabalhos seguem a mesma linha prática do SM-BQS. A maioria dos alunos do programa já atua em hospitais, clínicas e empresas, e leva para a pesquisa problemas que encontra na rotina de trabalho. Entre as frentes de estudo estão a impressão de tecidos em laboratório, os materiais impressos em 3D para uso na saúde e a reabilitação de pacientes cardíacos e respiratórios com acompanhamento a distância.
Com o SM-BQS, a Pós-Graduação em Bioengenharia da Universidade Brasil mostra como uma pergunta surgida da prática clínica pode virar uma tecnologia premiada, com pedido de patente e potencial para mudar a forma como a saúde dos ossos é avaliada. O reconhecimento no CBEB 2026 e as demais pesquisas apresentadas no congresso, já com financiamento de agências como FAPESP, CNPq e EMBRAPII, refletem o próprio tema desta edição: construir pontes entre a academia e o mercado, para que o conhecimento produzido nos laboratórios chegue a hospitais, clínicas e, principalmente, aos pacientes. A UB é uma instituição comprometida com a excelência acadêmica há mais de cinco décadas.
Sobre a Universidade Brasil
A Universidade Brasil (UB) é uma instituição de ensino superior com mais de cinco décadas de história e se destaca pela formação de profissionais altamente qualificados e pelo compromisso com a excelência acadêmica. Com três câmpus, um na capital paulista e outros dois no interior do estado, em Descalvado e Fernandópolis, e 25 polos de educação a distância em regiões estratégicas, a UB oferece uma ampla gama de cursos presenciais e EaD. Reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) com nota máxima nos cursos de Medicina e Direito, em Fernandópolis, nos cursos EaD e em Conceito Institucional, a UB possui mais de 100 mil metros quadrados de área construída para fins educacionais e de serviços de apoio à comunidade, formando um ambiente próspero, sadio e seguro para a vivência universitária, proporcionando excelência no ensino e aprendizagem de forma completa. Referência no ensino superior, a instituição mantém seu compromisso com a responsabilidade social, a sustentabilidade e a inovação, preparando seus alunos para os desafios de um mundo em constante evolução.