O Festival Nacional de Cinema de Fernandópolis – Edição de Inverno foi encerrado nesta quinta-feira. Um dos pontos marcantes do evento foi a presença de um grupo de estudantes deficientes auditivos de Jales e Fernandópolis, que formou uma plateia especial juntamente com outros alunos da rede municipal de ensino. A presença dos alunos no festival foi articulada pela APADAF - Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos de Fernandópolis.
Acompanhados por professores de Libras, os participantes assistiram aos filmes exibidos a partir das 15h. A principal atração foi o curta-metragem “Quando Silêncio Grita”, que abordou a comunicação e os desafios da comunidade surda.
A obra retrata as barreiras diárias enfrentadas por pessoas surdas em uma sociedade voltada majoritariamente para ouvintes, evidenciando momentos em que o silêncio se torna um "grito" por empatia, acessibilidade e direitos.
Na tela, os personagens se comunicaram com a plateia em Libras, proporcionando uma perfeita interação com o público deficiente auditivo, enquanto legendas explicavam aos demais ouvintes a mensagem que era transmitida.
Os participantes também assistiram a produções como “Junção de Átomos”, “Bon Odori” e “Reis Entre Nós” — este último destacou a tradicional Folia de Reis na região de Andradina.
Nesta obra sobre a Folia de Reis, o público deficiente auditivo pôde acompanhar o roteiro com a ajuda de uma professora de Libras, que fez a tradução simultânea durante os diálogos.
Segundo a professora Aline Ferreira, que trouxe o grupo de estudantes de Jales e também escreveu o roteiro do filme e o dirigiu, a experiência foi inédita e muito proveitosa. “Os alunos saíram das salas de aula, interagiram com estudantes de Fernandópolis e puderam acompanhar um espetáculo que falava a mesma linguagem deles”, destacou a educadora.
E a pequena aluna de Jales Emanuely que é surda, disse ter ficado surpresa ao encontrar um filme apresentado em Libras. Além de se encantar com o teatro, cinema, demonstrava toda satisfação de ter vivido esta experiência fora da órbita escolar.
Este foi o segundo evento cultural inclusivo na cidade recentemente. Na mesma semana, dois alunos deficientes visuais visitaram o Museu de Paleontologia de Fernandópolis, onde viveram a experiência de aprender tocando nos objetos, sob a supervisão do curador do museu.
Organizadores Comemoram
O organizador do Festival de Cinema, o cineasta Guilherme Miguelão, afirmou que o evento superou todas as expectativas, destacando a excelente repercussão no meio cinematográfico brasileiro.
Segundo Miguelão, muitos realizadores já garantiram participação na próxima edição de inverno, que começará a ser projetada em breve. “Tivemos um curto espaço de tempo para organizar e muitos artistas ainda queriam se inscrever mesmo com o festival já começando”, celebrou.