Religião

Entre a batina e as chuteiras: arcebispo de Rio Preto joga futebol toda semana e usa esporte para atrair jovens

A rotina de Dom Antônio Emídio Vilar, arcebispo metropolitano de São José do Rio Preto, vai muito além das missas, celebrações religiosas e encontros pastorais.


por Canal Dez
29/05/2026 às 10:58 São José do Rio Preto
Entre a batina e as chuteiras: arcebispo de Rio Preto joga futebol toda semana e usa esporte para atrair jovens

Foto: Mário Policeno/g1 e Arquidiocese de Rio Preto/Divulgação

A rotina de Dom Antônio Emídio Vilar, arcebispo metropolitano de São José do Rio Preto, vai muito além das missas, celebrações religiosas e encontros pastorais. Sempre que os compromissos oficiais dão uma trégua, o líder religioso de 76 anos deixa os paramentos sagrados de lado, veste o uniforme esportivo e entra em campo para praticar uma de suas maiores paixões. Religiosamente, toda terça-feira à noite, o clérigo bate sua tradicional bola, um hábito saudável que mantém desde os tempos de infância e que hoje serve como uma importante ferramenta de evangelização.

As partidas das quais o arcebispo participa na região estão longe de ser apenas brincadeiras protocolares. Segundo ele, o grupo reúne atletas experientes, muitos dos quais já jogaram profissionalmente ou passaram por categorias de base de clubes conhecidos, o que garante um jogo dinâmico e de bom nível técnico. Um de seus parceiros mais frequentes nos gramados é o padre Ernesto Oliveira Rosa, responsável por organizar torneios paroquiais que contam com a presença ativa do bispo. Em campo, Dom Vilar mostra versatilidade: corre bastante e atua tanto no ataque quanto no meio-campo ou na defesa, adaptando-se à necessidade do time no dia. Ele só não assume a posição de goleiro devido a dores causadas por tendinites crônicas.

Essa relação próxima com o esporte começou aos 11 anos e ganhou força durante sua formação no seminário. O arcebispo acumulou títulos em torneios estudantis em Lorena, no interior paulista, e disputou campeonatos universitários de alto nível em Roma, na Itália, no período em que cursava teologia. Para o religioso, o futebol é uma herança direta da pedagogia salesiana de Dom Bosco, que defende o esporte e o convívio comunitário como formas de educar e acolher. Dom Vilar acredita que o pátio de esportes permite conhecer a juventude de forma mais profunda do que dentro de uma sala de aula e, por isso, a arquidiocese local tem incentivado competições de futebol e vôlei entre as paróquias para cuidar da saúde física e mental dos fiéis.

A paixão pelo futebol também faz de Dom Vilar um observador atento dos grandes campeonatos. Torcedor fanático do Palmeiras desde a época histórica da “Academia”, ele também adotou o Mirassol, equipe da região que vem surpreendendo os torcedores ao disputar o principal torneio das Américas. De olho na Copa do Mundo, que começa em junho, o arcebispo guarda na memória recordações de edições marcantes, como o título de 1970 — assistido em uma TV sem som e sintonizada no rádio — e a dolorosa eliminação do Brasil para a Itália em 1982, vivida de perto enquanto morava em território italiano. Para o torneio deste ano, ele mantém um otimismo moderado e opina de forma direta sobre os rumos da Seleção Brasileira, classificando a convocação de Neymar como um risco alto devido ao histórico de lesões e defendendo que o craque comece a competição no banco de reservas até recuperar o ritmo ideal de jogo.