A expressão “Queima do Alho” desperta curiosidade em quem ouve pela primeira vez, mas carrega consigo uma das tradições mais autênticas da cultura rural brasileira. Trata-se de uma prática culinária típica das comitivas de peões boiadeiros, muito comum em estados do interior do Sudeste e Centro-Oeste do país.
Mais do que um prato, a Queima do Alho é um ritual coletivo. Sua origem remonta às antigas viagens dos tropeiros, que percorriam longas distâncias conduzindo boiadas. Durante o trajeto, um dos integrantes da comitiva era responsável por preparar a refeição. O primeiro passo era simples e simbólico: começar a fritar o alho na gordura, cujo cheiro forte se espalhava pelo ambiente, avisando aos demais que a comida estava sendo preparada. Esse gesto deu origem ao nome da tradição.
Com o tempo, esse costume se consolidou como um marco da culinária tropeira. O cardápio tradicional inclui pratos robustos e preparados de forma rústica, geralmente em fogões improvisados no chão, como arroz carreteiro, feijão gordo, paçoca de carne e churrasco - alimentos pensados para sustentar o trabalho intenso e a força dos peões.
Hoje, a Queima do Alho ultrapassou o contexto funcional e se tornou uma festividade cultural presente em eventos, cavalgadas e festas agropecuárias. Um dos maiores exemplos é a tradicional Queima do Alho de Festa do Peão de Barretos, considerada uma das mais importantes do país, reunindo comitivas que disputam concursos culinários e mantêm viva a tradição.
Em Fernandópolis, a prática também se mantém como parte da identidade cultural local. A Cavalgada, que acontece no dia 3 de maio de 2026, é obrigatória por Lei, integra a programação oficial do município e contará com a tradicional Queima do Alho no Recinto de Exposições, destinada aos participantes das comitivas.
A preparação ficará sob responsabilidade de Deni Cozinheira, nome reconhecido na região pelo talento, cuidado e capricho na cozinha - fatores que garantem a qualidade e autenticidade do prato servido durante o evento.
A Queima do Alho permanece como expressão viva de um modo de vida, onde trabalho, convivência e alimento se entrelaçam com profundo em significado.
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