Devido aos incidentes lamentáveis ocorridos em 4 de abril de 2016 — uma verdadeira batalha entre “torcedores” de Palmeiras e Corinthians, a Secretaria de Segurança Pública extinguiu os clássicos paulistas com duas torcidas no estado. A exigência foi aceita e colocada em prática pelo gestor.
Alguma medida deveria ser adotada com urgência!
Não é possível transformar o espetáculo em praças de guerra, trocar o glamour por sangue e vidas por mortes.
Talvez o que mais contribua para a satisfação do verdadeiro torcedor em um estádio seja o esplendor proporcionado pelo batuque, pelos bandeirões e pelas faixas, que contagiam a energia, motivam e estimulam os protagonistas, tornando a atmosfera agradabilíssima. Isso, sim, é torcer de forma consciente: a verdadeira emoção que uma partida de futebol proporciona. Embora o resultado não seja o mais esperado, que fiquem a alegria e a emoção como recordação.
O jornalista e pesquisador Rodrigo Vessoni, em uma reportagem publicada no ano passado, divulgou que, com a implementação da torcida única, houve um aumento superior a 29% na arrecadação dos jogos. Além disso, com a nova medida, ocorreu uma redução de 29% nas escoltas nos estádios, passando de 236 para 122 policiais. No período de 2016 a abril de 2025, ocorreram 19 mortes.
O fato de a medida não ter influenciado negativamente e até ter aumentado a arrecadação, também pode ser explicado por outros fatores, como a elevação dos valores dos ingressos e os estádios mais confortáveis. Enfim, o futebol tornou-se mais elitizado.
No Rio de Janeiro, em 2017, o Ministério Público, após sete torcedores ficarem feridos e um morrer em uma confusão entre organizadas do Botafogo e do Flamengo, solicitou torcida única nos clássicos. A proibição, porém, durou apenas um mês.
Em 2013, no Rio Grande do Sul, a ideia não saiu do papel. A Brigada Militar pediu torcida única em um jogo entre Grêmio e Internacional, mas o clássico ocorreu com os torcedores das equipes. Em 2018, a possibilidade foi novamente levantada e, mais uma vez, descartada.
No Campeonato Mineiro de 2024, Atlético Mineiro e Cruzeiro adotaram a torcida única por duas temporadas; porém, não está descartada a possibilidade de manter o acordo por mais anos.
Outros estados até tentaram adotar a medida, mas ela não durou muito tempo.
A medida adotada em 2016 em São Paulo, foi a mais coesa?
Talvez, naquele momento, sim. No entanto, ela deveria ser revista, pois, com tanta tecnologia disponível, há meios de coibir a violência por meio da identificação desses “torcedores” e da adoção de sanções, como ocorre em alguns países europeus.
Pode parecer utópico, mas é emocionante ter a presença das torcidas de ambas as equipes nos estádios. Contudo, é preciso garantir condições para que o verdadeiro torcedor possa comparecer com sua família e incentivar seu time do coração com segurança.
Fontes de pesquisas: sites espn, ge, folhape e Gil Acervo Esportivo.