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MERCADO DA BOLA: CONQUISTAS É O QUE MENOS INTERESSA!

Por Gil Cipriano - Gil Acervo Esportivo


por Canal Dez
15/02/2026 às 14:12 Fernandópolis
MERCADO DA BOLA: CONQUISTAS É O QUE MENOS INTERESSA!
O mundo globalizado tem tirado a essência do entretenimento, e no futebol não tem sido diferente. Grande parte da culpa é dos dirigentes, que, com o intuito de encher os cofres dos clubes, deixam em segundo plano a formação de esquadrões qualificados em busca de conquistas importantes. Não respeitam o sentimento dos torcedores nem preservam o legado do clube. Esse fato muito me entristece.

A ganância financeira tem sido uma prática recorrente entre as equipes portuguesas, que por anos lideraram esse ranking. A gigantesca rentabilidade obtida em negociações despertou o interesse de outros clubes, sendo superados pelas equipes alemãs.

No ranking divulgado, que abrange o período de 2021 até o final de 2025, aparecem: 1º Eintracht Frankfurt, da Alemanha, com 296 milhões de euros (R$ 1,855 bilhão); 2º Brighton, da Inglaterra, com 221 milhões de euros (R$ 1,385 bilhão); 3º Stuttgart, da Alemanha, com 178 milhões de euros (R$ 1,115 bilhão); 4º Atalanta, da Itália, com 150 milhões de euros (R$ 940 milhões); e 5º Benfica, de Portugal, com 147 milhões de euros (R$ 921 milhões).

Deste grupo seleto, apenas o Benfica conquistou o principal campeonato representativo da Europa, a Champions League, nas temporadas 1960–1961 e 1961–1962, sagrando-se bicampeão desta competição com maestria.

As equipes lusitanas, como o Benfica — após o bicampeonato da Liga dos Campeões em e o Porto, campeão em 1986–1987 e novamente na edição 2003–2004 (sendo esta, inclusive, a última conquista de um clube português na competição), não têm conseguido apresentar bom desempenho nos principais torneios europeus. O Porto, que em 2017 era a segunda equipe mais lucrativa na venda de jogadores, atualmente não figura entre os dez clubes mais rentáveis.

Nos campeonatos nacionais, Benfica e Porto detêm a hegemonia de conquistas, seguidos pelo Sporting, sem grande ameaça. Na Alemanha, a primeira e última conquista do Eintracht Frankfurt ocorreu em 1959, enquanto o Stuttgart venceu pela última vez na temporada 2006–2007. Já a Atalanta teve como maior título de expressão a Liga Europa de 2023–2024, nunca tendo conquistado a Série A italiana.

E o torcedor, diante dessa situação? Certamente não deve estar contente com o rendimento e a performance de sua equipe dentro de campo, enquanto fora dele os clubes “dão goleada” em rentabilidade advinda de vendas. Mesmo quando essas equipes realizam transações envolvendo jogadores de destaque, grande parte dos clubes prioriza a negociação de suas joias, em vez da manutenção de elencos competitivos.

Por mais que alguns campeonatos nacionais da Europa sejam competitivos, é inadmissível que equipes não lutem por títulos, não conquistem sequer vice-campeonatos e tenham apenas uma taça em 126 anos de existência. Isso é cruel e se torna motivo de chacota para os rivais.

É triste para a história e a trajetória de um clube de futebol, quando o que menos importa passa a ser a conquista de títulos e o desempenho nas competições disputadas.