Por Gil Cipriano - Gil Acervo Esportivo
Alguns clubes tornam os torcedores mais exigentes, criteriosos (alguns até mal acostumados), e assim será, pois o futebol é movido pela paixão, que prevalece sobre a razão. Para mim, isso é questionável, mas real. Nos últimos anos, o poderio econômico tem prevalecido em detrimento da formação de atletas. Muitas vezes, os clubes investem em suas bases com o intuito principal de encher seus cofres. O mercado europeu é a grande vitrine e a salvação de gestões nebulosas e catastróficas!
Diante do exposto, torna-se mais viável formar o atleta na base, que muitas vezes não tem muitas oportunidades no time principal ou conta com raríssimas chances, sendo negociado até mesmo para mercados emergentes.
O retorno financeiro tem sido a grande prioridade dos clubes, em vez de manter esses atletas por mais tempo em nossas equipes, o que fortaleceria os clubes, tornando-os mais competitivos, combativos e com maior qualidade nas competições.
Atualmente, estamos na contramão: negociamos nossas jovens promessas, enquanto os clubes enchem os cofres e vão ao mercado sul-americano em busca de jogadores de segunda linha. Muitas vezes, trazem atletas que atuam no mercado europeu ou em ligas emergentes, mas não com a mesma qualidade com que foram comercializados. Geralmente, esses jogadores estavam encostados em seus clubes devido ao baixo rendimento.
Caos total! Não só jogadores estão desembarcando em nosso país; já há algum tempo, tornamo-nos alvos de treinadores não só sul-americanos, mas também europeus, e a nossa própria Seleção tornou-se presa dessa nova realidade.
Coincidência ou não, ao longo dos anos tem aumentado o número de estrangeiros em nosso futebol! Uma coisa é fato: os salários gigantescos praticados em nosso país têm sido o grande atrativo para jogadores de segunda linha. Enquanto isso, nossas revelações, ainda imaturas, são adquiridas por clubes internacionais.
Mudanças drásticas precisam ser feitas com urgência, caso queiramos voltar a ser referência mundial neste esporte. Caso contrário, só teremos decepções com a nossa seleção e com parte dos nossos clubes sendo eliminados por equipes consideradas inferiores, como as uruguaias, equatorianas e colombianas, em competições internacionais.
A todos leitores e Amigos, boas festas e abençoado 2026.
*Gilberto Cipriano: formado em Administrador de Empresas, História e Complementação Pedagógica, comentarista esportivo da TV Canal Dez e autor dos livros: Alma Águia – 61 Anos da Águia, Almanaque do Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais e Enciclopédia Fernandópolis nos Jogos Regionais 1970-2025.